Desabafo

Não sofro por acreditar no que ouço ou leio. Eu não acredito, simples assim. Nem no todo ou em partes.

Criei vícios, cismas e desconfianças demais, estou sempre à espreita, analisando e esmiuçando todas as palavras: as que me doam, as que provoco, as que me provocam e as que colho.


Esse estar sempre sorrateiro e sitiado de armas a postos e garras de fora é que me consomem. Perdi capacidades como a de me espantar, ficar perplexa, indignada ou desencantada diante das mentiras ou teatros de quinta.


Queria muito resgatar o olhar distraído e o pensamento leve, não ser juíza e nem zeladora, deixar o que não me completa ou me trás algo de bom, passem despercebidos.


Ardo por me encantar sem pensar e medir conseqüências. Queria voltar a estar ao lado contemplando, fluindo e absorvendo apenas o que me dá prazer e desperta emoções que me tornam suave. Ficar alheia a todo o resto que fuja disso e nem por uma ou meia fração de segundo chame a atenção ou inquiete meu espírito.


É esse ser serenizado sem necessidade de ajustes de contas ou o cuidar do que está fora que pede para me tocar. Erro tantas vezes a esmo nesse meu buscar, mas sempre volto ao ponto anterior de meus desvios e sigo tentando me tornar mais forte.


Talvez por isso muitas vezes eu esteja tão cansada, mas mesmo desses cansaços tiro meu aprendizado.


O meu pequeno segredo é que, apesar do ser sorrateiro ainda me assombrar e verter pelos meus poros seus limos de maldade vou encontrando pessoas à parte, que têm o dom de me encantar e resgatar a doçura que trago intacta.


Pessoas para quem eu digo: EU TE AMO, um dizer sentido e acariciado que vai sendo semeado com o tempo, sem restrições, distâncias ou limites. Um sentimento alheio aos meus desencantos, que me acolhem seja eu tempestades, desatinos ou insanidades.


No meu melhor ou pior, pessoas que me abraçam e me dão sentido quando me perco, pessoas que são maiores do que a gente miúda que abunda em quantidade, mas nunca me alcançam.

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