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Recomeçar


Você pensa que tudo é eterno, 
mas não é. 
De repente não existe mais nada  
e você entende que não se pode perder 
o que nunca teve. 

O que fica é a sensação de plenitude, 
a gentileza das palavras fáceis, 
o sono tranquilo, 
os dias coloridos. 

Então você resgata o seu eu 
que andava perdido na confusão do outro.

Receita

Os mesmos ingredientes
Em pratos diferentes,
3 gotas de limão,
1 colher de (sopa) de mel
2 paus de canela
3 cravos
raspas de laranja

Modo de Preparar

Fogo brando
Mexer delicadamente
Deixe amornar
Em temperatura ambiente,
Prove meu gosto
E colha meus beijos

Sirva-se à vontade...

Rota





Quando a língua passa
pela rota do desejo,
louco e desvairado em urgências.
que entendimento pode haver
entre bichos da mesma fala
mergulhados no mesmo tempero,
em aflição pelas mesmas dores,
perdidos nas mesmas trilhas de solidão,
em conflito voluntário?

Que entendimento pode haver,
além do desejo lancinante e brutal
traduzido na linguagem do sexo?
Melhor calar e sentir...

É só desencontro no final,
como rios sinuosos
aliviando-se em afluentes...

Não pisar com os dois pés no presente,
manter um pé no passado
e não esquecer que seduziu o tempo
como me seduzia,
conduzindo e me adivinhando sem bússola...

Respostas

Respostas que não satisfazem
perguntas deixadas para depois.
O silêncio espia
e tudo são cansaços
Um suspiro,
quem sabe de amor...

Não encontro os caminhos
Por onde eu possa me perder.
Seria uma boa desculpa
para não voltar...

Nos olhos,
a saudade eterna dos teus,
A boca advinha o beijo
que não aconteceu ,
e anda seca...

Esse olhar para nada,
O pensamento vazio,
Peito apertado,
Engasgar respostas.

Ouvindo: Refrão de Bolero

Rastros

Entre dois rastros
Minha própria ficção
Vou tecendo em fios ilusórios
De mim mesma

À beira dos meus abismos
Declaro meu próprio motim
tentando chegar ao outro lado
Conservada em chamas
Sou também minha própria fronteira.

Tu, meu amor,
És meu nascente e poente,
As cifras de todos meus códigos,
Meus sinais mais tênues,
Para um rastro,
O rastro que virá

Restos

vácuo
mútuo
cuspo
amplo
duplo
fátuo
fulvo
níveo
árduo
circo
magno
antro
livro
hirto
pólo
ebúrneo
triplo
amuo

Renda-se


Seios em alerta
Pernas em penitência
Lábios a espera
O corpo deposto em tuas mãos

Eu rendida...


Ouvindo: Ne me quite pas

Rasgo


Se não podes
Mergulhar na minha alma,
Rasga-me a roupa...

Retorno


Meu amor por ele retorna...


Amor por suas jornadas,

Por seus cansaços suspirados

Mas de leve suportar.


Amor por suas curiosidades

Cheias de apetite sempre saciado.

Por suas triste falta de ilusões,

Pois sem ilusões ele evitou desilusões.

Ainda pulsa nele alguma vontade

De ter ilusões, mesmo que seja só vontade.


Amor pelas certezas que o cercam,

Como a de manter seu mundo imutável,

Ao menos sem grandes abalos.

Sitiado pelas cercas de sua cidadela,

E o desejo em segredo de que algo

Possa fazer seu coração bater mais acelerado.


Amor pela sua necessidade por dias de sol,

Seu apego ao mar,

O amor incondicional pelos seus.

Amor as suas palavras vadias,

Dadas a esmo até saciar sua sede

De palavras soltas,

Às quais se dedica até matar a fome,

Para depois partir

Sem o compromisso estreito de voltar.


Meu amor por ele retorna...

Amor por sua honestidade

Crua e bruta,

Mas nunca desbotada

Ou corrompida.


Meu amor por ele finda

Em nossas ausências

Sempre amadurecendo

Em sua sabedoria rústica

De quem viveu e aprendeu

Algumas lições

Sem deixar de passar

Por grandes ou pequenos sofrimentos

Cheio de gratidão pelo que recebeu e recebe

A cada dia seu de cada dia


Meu amor por ele retorna sempre,

Sem data marcada,

Sem normas estipuladas.


Meu amor por ele é livre como o vento

Que faz girar a rosa-dos-ventos.

Razão

Colo nu,
Corpo descoberto,
Eu desnudo
Tudo fitado,
Emergência,
Subterrâneos,
Descobrir(-se).

Pele,
Fértil,
Sentidos
Sufixo do sensível.

Couro, pele e imaginação,
Desejo.

Lábios,
Labi(ais),
Projetam ao fundo
E o (im) penetrável
À outras peles
Na mesma partícula.

Palavra,
Sorriso,
Silêncio,
Além do espaço existencial.

As mãos, pés, espaço e vácuo
Ficam mágicas as linhas espelhadas no branco labirinto,
na tinta inalável de toda circunstância
impiedosa de tornar as mesmas,
consumir à tantas,...
O que frágil acalenta e percebe, diz e lacrimeja,
o corpo disforme não resolve
e penetra,
o submergir de toda espécie.

Por chuva calcificada nos ossos de tuas estrelas,
olhos baixos, caixa forte colossal;
céu fundido em corpo, latente permanência.

Resumir-se



Quanto mais esconde,
Mais revela.

Quanto mais afastado,
Mais próximo.

Quanto mais negado.
Mais desejado.

Quanto mais silenciado,
Mais consentido.

Resposta: Um Beijo


Um Beijo
da bruxa,
do gato da bruxa,
do sorriso nem sempre perene
de gargalhada fácil
mas sempre presente ainda que acanhado.

Um Beijo
dos planetas que andei alinhando,
das plantinhas, que,
mesmo estando ausente
seguiram o curso da vida,

das palavras que não alinhavei
por completa preguiça,
dos pensamentos que deixei guardados
porque a cabeça precisava "esticar" em ondas
de total abandono ao não pensar,

da palheta de cores
que adotei para colorir
o que antes me parecia tão desbotado,

do infinito ir e vir,
do ser e estar
mesmo quando a vontade é alçar vôos imaginários,
sonhar com as asas possiveis
das pequenas coisas que nos fazem sorrir

Um beijo e até um dia desses...

Respostas


Respostas que não satisfazem
perguntas deixadas para depois.
O silêncio espia
e tudo são cansaços
Um suspiro,
quem sabe de amor...

Não encontro os caminhos
Por onde eu possa me perder.
Seria uma boa desculpa
para não voltar...

Nos olhos,
a saudade eterna dos teus,
A boca advinha o beijo
que não aconteceu ,
e anda seca...

Esse olhar para nada,
O pensamento vazio,
Peito apertado,
Engasgar respostas...

Foto:
José Marafona

Ouvindo: Madeleine Peyroux - Summerwind

Vai ficar tudo bem

O “vai ficar tudo bem”  se transformou em som vazio, palavras ouvidas viraram ausência.   Ser forte não foi uma escolha,  apenas foi empurr...