Eu te amei, girassol, e agora?
Ecos alheios
Em algum lugar
É preciso
É preciso ver,
o ver de olhare fartar olhos e coração.
É preciso amar,
o amar de entregar
e fartar corpo e alma
É preciso consumar,
o consumar de saciar
e fartar por dentro
e por fora,
desfazendo nós contidos
de desejo aflito.
Amantes insones,
lavados em sal,
ardendo e perdendo o ar
fartando-se em plural
de tanto amar...
Expectativas
Foi bom?
- Sim, foi bom.
Foi bom porque não levei expectativas na bagagem,
Valorizei os cheiros, cores, sons e gentes,
Vivi cada segundo como se fosse o último,
Sorria o riso largo e barulhento do amanhecer
até anoitecer em sonos sem sonhos.
Os olhos marejaram e o coração apertou
Pelo abraço que não comunguei,
E sei que não fui a única a sentir assim...
- Sim, eu sei!
Não cultivei saudades antecipadas,
Não perdi a fé no tempo,
Senhor que tudo cura e a tudo provém.
Foi bom, foi ótimo.
- Foi sim!
testemunho de viagem
Estrelas Voadoras
É tempo
Fica a vontade.
É tempo de lavar
As paredes do corpo
E renascer, quase intacta.
(Foi por causa das saudades que deixei de roer as unhas. Preciso de mim inteira.)
Essas Meninas

Era uma vez duas meninas, uma de 6 e outra de 5 e meio. Duas fofas. Bem, a de 5 e meio era uma chata co caréus, uma tirana. Tudo que a de 6 tinha., ela queria!
Um dia brigaram feio porque a “pentelha” cismou que queria a xícara da outra, (as xícaras eram todas iguais), mas queria porque queria, assim usou e abusou dos recursos de sempre: choro aos berros e descabelados.
A mãe da invocada e a invocada de 6 travam o seguinte diálogo:
- Mas mãe, é igual...
- Dá já!
A mãe nessa altura já abusando da autoridade porque ninguém aguenta criança pentelha aos choros, berros e descabelos:
A invocada, o adjetivo já diz tudo, teimou e retrucou. Ameaçou birra, e lascou:
Essas duas quando ficavam de mal, viravam a cara e fechavam os olhos uma pra outra porque não queriam mais “olhar na cara uma da outra”.
Exilo
Que cultivam dissabores mútuos
Existe a história de como era o antes.
Existe o nó na garganta,
A lembrança que mareja,
A saudade que sufoca,
O coração sem alento...
Existe a nudez do esquecimento,
Aspereza,
Solidão,
O desespero na tempestade,
Sem faróis a nos guiar...
Existem pequenos atalhos
Para que um se perca
E o outro nunca mais se encontre...
Claustro de exilo que tecemos,
Nas horas em que não ousamos.
Recantos de silêncios
Erguidos na própria alma,
Em abandono no esquecimento...
Foto: Paulo Medeiros
Eixo
Entre minhas pernas
Meus pequenos desejos:
Aprender a virar o destino,
saber dar de ombros às horas
que morrem no olhar
e fingir que não desejo mergulhar no teu
para te abocanhar pelo avesso.
Alimentar este desejo de fluir no sangue,
beber tua saliva
e misturar no teu coro
Ficar nas tuas maõs
onde eu caibo inteira:
eu inteira e tu desfeito.
Viver o tudo e o nada
te abraçando entre minhas pernas...
Egoísta
nenhum sopro de esquecimento
que acalme os minutos
que fazem engasgar essa raiva
Sempre a espera das palavras,
as mesmas que tantas vezes
foram capazes de virar do avesso
a seqüência ordinária dos dias.
Feridas já expostas se alastrando
afastando as vontades
de um início sem fim
O pavor sempre te cegando
para o que sou,
já que serei sempre incompreensível
diante do teu entendimento.
Me ver seria voltar para dentro de si
olhando dentro dos espelhos,
quando estes mostram mais
do que a primeira impressão,
ou a possibilidade última.
Tenho alguém que perdi
e que nunca cheguei a conhecer.
Quem não tem?
E Depois?

Vagalumes que surgem
para iluminar meus umbrais
Ando assim, assim..
Ando nada!
Ando mesmo muito,
Desse andar que também
Conjugamos como caminhar
E a cabeça anda é oca de pensamentos.
Coisa estranha,
E diante de tanta vida
Como uma pétala que solta,
voa livre sem destino
por trilhas e caminhos
criando e recriando,
ululante sem principio nem fim...
Porque trago na alma
o sorriso vadio da esperança,
o olhar que alcança,
o desejo que se realiza...
Não olhe pra mim,
eu posso me apaixonar.
Não sorria pra mim,
eu posso querer ficar.
Não diga “eu te amo”,
eu posso retribuir.
E depois?
Espera
Estranhos
na sua serenidade habitual.
Estranho...
Suas palavras faltavam,
mas as poucas que tinha
pesavam demais,
sobravam...
Ela aspirava suavidade
na sua loucura habitual,
Estranha...
Suas palavras abundavam,
mas as muitas que tinha
não se estendiam,
calavam...
Eu penso em Você
Eu penso em você
Você ainda pensa em mim?
Sente a falta da nossa
cumplicidade sem compromisso?
Eu penso em você,
sempre...
Esse sempre, às vezes,
vem num suspiro
de olhos rasos.
Outras,
num suspiro dobrado,
em sorrisos solitários
perdidos ao acaso
que ninguém entende.
Por que sorrisos tão gratuitos,
assim por apenas serem sorrisos?
Sim,
eu penso em você.
Com a emoção
das alegrias perdidas
que comungamos,
quando estávamos juntos,
sem o compromisso estreito
das cobranças do mundo lá fora,
Onde só bastava a vontade
que um tinha do outro
e o outro do um,
sem explicações e sem medidas.
Sim,
Eu ainda penso em você...
- Porque não preciso
e não quero te esquecer,
mesmo que já tenhas me esquecido.
Expressões
Se dobra numa expressão
Que em si, sobra.
“- É tarde demais!”
Assim pronunciada,
Sem preocupação
Relacionada ao visível
É um jogo de palavras
Sempre dizendo
Algo diferente.
E o que estiver por trás
Do que se quis dizer
Permanecerá para sempre
Escondido.
Dependendo da entonação,
Talvez nunca entendido.
II
“-Não Sei.”
Mesmo murmurada,
Amorosamente
Ou avolumada
Por algo ultrajante,
É mais uma expressão
Que em si, sobra.
É o pensar depressa,
Para disfarçar,
Não deixar provas,
Um dizer de justificações forjadas.
É o impasse de si mesmo
Insolúvel
Como a soma
De dois números
Espaços Intemporais
Imutável.
Temos a necessidade,
Extravagante
Essencialmente arrogante,
De dividir o tempo
E nomeá-lo
Para nos nortearmos.
É no meu vazio
Que esse tempo passa,
Tire-me de mim
E fica esse vazio temporal
Eu prefiro espaços intemporais
É do tempo que
Quero escapar
Para poder me encontrar
Em mim.
Entre Paixão e Saudade
Um misto de emoções,
Instintos
Fogo árduo,
Escarpado,
De pouca dura
A Tua Saudade
Ausências
Inexistência,
Falta,
Carência.
O recordar nostálgico e suave
De pessoas distantes,
Coisas passadas
Capacidade de sentir,
Receber
Paixões,
Pesar,
Mágoa,
Ou desgosto.
Afeição
Abalando estruturas
Ternamente
Enamorado da eterna saudade
De uma ausência preservada
Eu trago flores...

As vezes, esse meu coração ,
dança feito uma passista,
festejando no meu sangue
as novas pulsações,
únicas responsáveis,
por arrancarem do meu peito
tantos ais sem medida.
Ele sabe o silêncio
em que arde meu ser primitivo
e onde minha alma anda oculta
A espera do sinal,
ainda que traga cravada
entre entre o sonho e o desejo,
essa adaga do querer
que me fará sangrar flores
que vais colher
entre as minhas pernas...
Foto:Web
Ouvindo: Momento
Vai ficar tudo bem
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