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Eu te amei, girassol, e agora?


Olhos vazios que carregam 
 o peso de histórias perdidas, 
apartados de si mesmos, 
 apontados para o que 
 não pode ser absorvido. 

 Dedos rígidos que tentam 
 agarrar o tempo 
 num lembrete silencioso 
entre a delicadeza da existência 
 e a certeza inquietante 
 de que ficou algo por dizer. 

A sensação perene da falta 
que não se pode nominar, 
imperfeita e incompleta.

Nenhuma vírgula antecedeu
as pausas subjuntivas
das impossibilidades cortantes.

Uma metade partida no meio 
de uma página esquecida.

-Eu te amei, girassol! E agora?

Ecos alheios

Pior que perder um amor
é reencontrar esse amor 
para voltar a perdê-lo. 

Essa dor se acumula
em fardos estocados
numa alma cansada.

Enquanto crescem, 
ouvem-se como os ecos 
de  expectativas alheias:

“Há de passar”

No fundo ela sabe,
como quem reconhece
uma verdade antiga;
- aquele não é o seu chamado,
porque esse amor voltou para ficar,
mesmo que lhe chamem dor. 


Em algum lugar

Não sei!
Talvez preguiça ou alguns cansaços, 
porque falar de onde me escondo 
sempre consome  mais do que desejo
e logo fico aflita como bicho acuado, 
andando de um lado para outro. 

Hoje nem o verso, nem a música 
e muito menos o te imaginar me trouxeram paz. 
Ando cansada, tenho pressa, 
preciso de um lugar onde eu possa me esconder 
e que algumas banalidades possam me alcançar, 
o quanto antes... 

Não gosto de me sentir nua, 
não falo da nudez do corpo,
e sim a da alma e consciência.

Não se trata de pudor, ceticismo ou aflições, 
o revelar dá algum trabalho 
e depende de alcançar as intenções, 
de perceber e compreender
livre de julgamentos.

O não saber como carregar a adaga 
que atravessa e sangra
esse cansaço, me despedaça. 

Quem pode traduzir a minha agonia? 
Talvez só eu, mas estou tão cansada. 
Queria um porre, chapar a cara, 
dormir o sono sem sonhos... 

Mas o final desta conversa será só para você, 
em algum lugar, enroscada no teu abraço, 
no tempo futuro conjugado no plural

É preciso

 É preciso ver,

o ver de olhar
e fartar olhos e coração.

É preciso amar,
o amar de entregar
e fartar corpo e alma

É preciso consumar,
o consumar de saciar
e fartar por dentro
e por fora,
desfazendo nós contidos
de desejo aflito.

Amantes insones,
lavados em sal,
ardendo e perdendo o ar
fartando-se em plural
de tanto amar...

Expectativas



Foi bom?
- Sim, foi bom.

Foi bom porque não levei expectativas na bagagem,
Valorizei os cheiros, cores, sons e gentes,
Vivi cada segundo como se fosse o último,
Sorria o riso largo e barulhento do amanhecer
até anoitecer em sonos sem sonhos.

Os olhos marejaram e o coração apertou
Pelo abraço que não comunguei,
E sei que não fui a única a sentir assim...

- Sim, eu sei!

Não cultivei saudades antecipadas,
Não perdi a fé no tempo,
Senhor que tudo cura e a tudo provém.

Foi bom, foi ótimo.

- Foi sim!


testemunho de viagem

Estrelas Voadoras

Sinto saudades
daquelas constelações
do teu olhar,
onde pingavam
estrelas voadoras.

É tempo

Vai-se o tempo,
Fica a vontade.

É tempo de lavar
As paredes do corpo
E renascer, quase intacta.


(Foi por causa das saudades que deixei de roer as unhas. Preciso de mim inteira.)

Essas Meninas



Era uma vez duas meninas, uma de 6 e outra de 5 e meio. Duas fofas. Bem, a de 5 e meio era uma chata co caréus, uma tirana. Tudo que a de 6 tinha., ela queria!
Um dia brigaram feio porque a “pentelha” cismou que queria a xícara da outra, (as xícaras eram todas iguais), mas queria porque queria, assim usou e abusou dos recursos de sempre: choro aos berros e descabelados.
A mãe da invocada e a invocada de 6 travam o seguinte diálogo:

- Dá essa xícara pra ela.
- Mas mãe, é igual...
- Dá já!

A mãe nessa altura já abusando da autoridade porque ninguém aguenta criança pentelha aos choros, berros e descabelos:

- Tou mandando, ela é criança.

A invocada, o adjetivo já diz tudo, teimou e retrucou. Ameaçou birra, e lascou:

- Mas mãe, eu também sou criança. Ela num usa fralda e nem toma mamadeira.

A mãe, louca com aquele inferno põe um ponto final na história, isto é, tenta:
- Mas ela não vai na escola!

A outra responde (melhor era ficar quieta, mas não aprendeu a lição até hoje):

- Tá bom! Eu também num vou pra escola, detesto escola.

Resumo, teve de dar a xícara para que a outra ficasse quieta e ainda ficou de castigo por colocar a mãe louca (palavras da mãe).

(Quem deixou ela doida foi a outra com choros, berros e descabelos.)


Essas duas quando ficavam de mal, viravam a cara e fechavam os olhos uma pra outra porque não queriam mais “olhar na cara uma da outra”.

Exilo

No espaço entre duas pessoas
Que cultivam dissabores mútuos
Existe a história de como era o antes.

Existe o nó na garganta,
A lembrança que mareja,
A saudade que sufoca,
O coração sem alento...

Existe a nudez do esquecimento,
Aspereza,
Solidão,
O desespero na tempestade,
Sem faróis a nos guiar...

Existem pequenos atalhos
Para que um se perca
E o outro nunca mais se encontre...

Claustro de exilo que tecemos,
Nas horas em que não ousamos.
Recantos de silêncios
Erguidos na própria alma,
Em abandono no esquecimento...

Foto: Paulo Medeiros

Eixo



O eixo em movimento
Urge,
Anseia,
Implora
Por alguma estática

Que as palavras façam silêncio
Nos meus silêncios

Photo by C M Wolett

Entre minhas pernas


Meus pequenos desejos:

Aprender a virar o destino,
saber dar de ombros às horas
que morrem no olhar
e fingir que não desejo mergulhar no teu
para te abocanhar pelo avesso.

Alimentar este desejo de fluir no sangue,
beber tua saliva
e misturar no teu coro

Ficar nas tuas maõs
onde eu caibo inteira:
eu inteira e tu desfeito.

Viver o tudo e o nada
te abraçando entre minhas pernas...

Egoísta

Um dedo que nos alcança todas as feridas
nenhum sopro de esquecimento
que acalme os minutos
que fazem engasgar essa raiva

Sempre a espera das palavras,
as mesmas que tantas vezes
foram capazes de virar do avesso
a seqüência ordinária dos dias.

Feridas já expostas se alastrando
afastando as vontades
de um início sem fim

O pavor sempre te cegando
para o que sou,
já que serei sempre incompreensível
diante do teu entendimento.
Me ver seria voltar para dentro de si
olhando dentro dos espelhos,
quando estes mostram mais
do que a primeira impressão,
ou a possibilidade última.

Tenho alguém que perdi
e que nunca cheguei a conhecer.

Quem não tem?

E Depois?


Vagalumes que surgem
para iluminar meus umbrais

Ando assim, assim..

Ando nada!

Ando mesmo muito,
Desse andar que também
Conjugamos como caminhar
E a cabeça anda é oca de pensamentos.

Coisa estranha,
E diante de tanta vida

Como uma pétala que solta,
voa livre sem destino
por trilhas e caminhos
criando e recriando,
ululante sem principio nem fim...

Porque trago na alma
o sorriso vadio da esperança,
o olhar que alcança,
o desejo que se realiza...

Não olhe pra mim,
eu posso me apaixonar.
Não sorria pra mim,
eu posso querer ficar.
Não diga “eu te amo”,
eu posso retribuir.

E depois?

Espera


Tão estranho dois seres serem um só
quando somos tão nós.
As palavras e os pensamentos
Algumas vezes ficam suspensas
Porque carecem de gestos,
Sonhos de corpos e almas
Em fusões.

E ficam no tempo da espera,
sempre à espera,
desses sonhos só nossos.

Estranhos

Ele transpirava contrariedade
na sua serenidade habitual.

Estranho...

Suas palavras faltavam,
mas  as poucas que tinha
pesavam demais,
sobravam...

Ela aspirava suavidade
na sua loucura habitual, 
anunciando tempestades.

Ele se exasperava 
por encerrar aquela conversa.

Estranha...

Suas palavras abundavam,
mas as muitas que tinha
não se estendiam,
calavam...

E apesar de tudo isso
ou por causa de tudo,
ele quer a paz
que alimenta seu sonho.
 
Ela quer o abraço 
que acalma seus desvarios.

Tão estranhos e completos
que se complementam.

Eu penso em Você

Eu penso em você

 

Você ainda pensa em mim?

Sente a falta da nossa
cumplicidade sem compromisso?

Eu penso em você,
sempre...

Esse sempre, às vezes,
vem num suspiro
de olhos rasos.


Outras,
num suspiro dobrado,
em sorrisos solitários
perdidos ao acaso 

que ninguém entende.

 

Por que sorrisos tão gratuitos,
assim por apenas serem sorrisos?

Sim,
eu penso em você.

Com a emoção
das alegrias perdidas
que comungamos,
quando estávamos juntos,
sem o compromisso estreito
das cobranças do mundo lá fora,


Onde só bastava  a vontade
que um tinha do outro
e  o outro do um,
sem explicações e sem medidas.

Sim,
Eu ainda penso em você...

- Porque não preciso

e não quero te esquecer,

mesmo que já tenhas me esquecido.

 


Expressões

A maneira do tempo
Se dobra numa expressão
Que em si, sobra.

“- É tarde demais!”

Assim pronunciada,
Sem preocupação
Relacionada ao visível
É um jogo de palavras
Sempre dizendo
Algo diferente.

E o que estiver por trás
Do que se quis dizer
Permanecerá para sempre
Escondido.

Dependendo da entonação,
Talvez nunca entendido.

II

“-Não Sei.”

Mesmo murmurada,
Amorosamente
Ou avolumada
Por algo ultrajante,
É mais uma expressão
Que em si, sobra.

É o pensar depressa,
Para disfarçar,
Não deixar provas,
Um dizer de justificações forjadas.

É o impasse de si mesmo
Insolúvel
Como a soma
De dois números

Espaços Intemporais

O tempo é indivisível,
Imutável.

Temos a necessidade,
Extravagante
Essencialmente arrogante,
De dividir o tempo
E nomeá-lo
Para nos nortearmos.

É no meu vazio
Que esse tempo passa,
Tire-me de mim
E fica esse vazio temporal
Eu prefiro espaços intemporais

É do tempo que
Quero escapar
Para poder me encontrar
Em mim.

Entre Paixão e Saudade

A Tua Paixão

Um misto de emoções,
Instintos
Fogo árduo,
Escarpado,
De pouca dura


A Tua Saudade

Ausências
Inexistência,
Falta,
Carência.
O recordar nostálgico e suave
De pessoas distantes,
Coisas passadas
Capacidade de sentir,
Receber
Paixões,
Pesar,
Mágoa,
Ou desgosto.
Afeição
Abalando estruturas
Ternamente
Enamorado da eterna saudade
De uma ausência preservada

Eu trago flores...


As vezes, esse meu coração ,
dança feito uma  passista,
festejando no meu sangue
as novas pulsações,
únicas responsáveis,
por arrancarem do meu peito
tantos ais sem medida.

Ele sabe o silêncio
em que arde meu ser primitivo
e onde minha alma anda oculta
A espera do sinal,
ainda que traga cravada
entre entre o sonho e o desejo,
essa adaga do querer
que me fará sangrar flores
que vais colher
entre as minhas pernas...

Foto:Web
Ouvindo:
Momento

Vai ficar tudo bem

O “vai ficar tudo bem”  se transformou em som vazio, palavras ouvidas viraram ausência.   Ser forte não foi uma escolha,  apenas foi empurr...