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Certos lugares


Voltei  aos lugares onde um dia fui feliz. Não quer dizer que não o seja, mas trata-se de uma felicidade onde não cabia maldade e éramos todos felizes num estado natural e livre do peso do mundo e da vida.

Percorri tantas vezes esses caminhos até os saber embrenhados e fundidos na minha própria essência. 

Penso nas pessoas que caminham por esses mesmos caminhos, será que estão atentos aos detalhes do percurso ou caminham pela força do hábito?

Será que eles entendem a magnitude dessas esquinas como eu as percebo?  Será que valorizam cada passo e o espaço que ocupam? 

Os cheiros no ar? 

Valorizam os detalhes que compõe a paisagem? 

Acho que não!

O que para eles faz parte do dia a dia, para mim é uma nota a ser guardada na memória  como um bem precioso de vida pulsante. 

Sorvo cada instante como se fosse meu último suspiro.


Post Iscriptum: Há mais de 50 anos perambulo por esses lugares e me entristeceu ver essa esquina cada vez mais deteriorada em abandono.”

Saudade!

Saudade! Sim, sinto saudades... 
Das coisas boas que 
deixaram suas marcas na minha vida. 
Das outras não sinto saudades. 

Sinto saudades quando vejo retratos, 
quando sinto cheiros, 
quando escuto uma voz arquivada na memória, 
quando me lembro do passado sem o passar à limpo... 

Amigos que nunca mais vi, 
da minha infância, 
da adolescência, 
também sinto saudades daquela jovem adulta... 

Sinto saudades do meu primeiro amor, 
do segundo, 
do terceiro, 
do penúltimo e do último 
que também foi o primeiro, 
daqueles que ainda vou viver, 
sinto saudades... 

Não sinto saudades do presente 
que estou vivendo pelo meio 
porque não o vivi completamente, 
quando era passado e que agora não me pertence 

Do futuro, que não idealizo, sinto saudades. 

Sinto saudades das perspectivas 
que não alimento, 
será possível sentir saudade do que ainda não é lembrança 
guardada na memória não vivida? 

De quem me deixou 
e de quem eu deixei, 
de quem não apareceu, 
de quem sempre esteve ao lado, 
de quem me viu e me enxergou, 
de que me adivinhou sem ter me visto, sinto saudades... 

Dos que se foram 
e de quem não me despedi, 
dos que se afastaram quando estava perdida em sonhos, 
dos que me afastei por não querer sonhar,
de quem passou na calçada contrária da minha vida
e só enxerguei de vislumbre, 
de quem abandonei sem pudores,
sinto saudades... 

Dos livros que li, 
dos discos que ouvi, 
do que vivi, 
do que morri por viver,
do que passou por mim e não vivi, 
do que vivi pelo meio, sinto saudades... 

Do “não sei o que”, 
do não sei onde, 
do que tenho, 
do que perdi, 
do que nunca tive, 
de quem nunca me teve, sinto saudades... 

Sinto saudades de mim...

Palavras Forjadas

Amanheci perdida das minhas palavras e, 
apesar de me sentir saudosa delas, 
a sensação era a de que elas nunca me pertenceram, 
não eram minhas. 

Quero uma palavra que não alcanço, 
a palavra que apaziguará as palavras 
que me sobram em silêncios, 
e refreará qualquer nesga de fúria 
das palavras tempestivas 
cuidando para que as mesmas não rasguem a carne. 

A palavra que manterá tudo em serena compreensão, 
para que não venham a sucumbir em arroubos 
desatinados das palavras paixão, 
separando cada palavra, umas das outras, 
para serem usadas delicadamente, 
tudo feito em efeito e de modo que, 
uma seguirá a outra 
formando algo que faça sentido, 
chegar a algum lugar, para tocar alguém... 

Tudo que tenho é uma náusea doce na boca, 
os dedos escorregando a esmo 
por sentirem falta do papel e da tinta
para se tornarem palavras vivas, 
voando na forca dos ventos, 
palavras eólicas... 

Palavras reveladas 
de maneira verdadeira e genuína, 
nascidas na alma e forjadas na carne, 
que nunca serão palavras de estragos, 
apenas palavras de ternura. 

Palavras que se deixem sorver 
sem amarras  e cinismo,
palavras que sejam lançadas 
onde podem ser semeadas e cultivadas, 
palavras colheita que possam ser alcançadas.

Um pedido de desculpas

Não sou pessoa dada a aproximações 
pois as partidas sempre são doloridas.

E elas sempre acontecem, 
me acúmulo nelas e aprendi a conviver com isso. 

Claro está que não sem algumas revoltas,
mágoas ou saudades. 

Vivo de esboços não acabados e vacilantes, 
o único equilíbrio possível é estar 
e me manter dentro de mim mesma. 

Não são angústias ou dependências. 
Sou assim... 

Queria muito depender, 
deixar de dar murro em ponta de faca, 
cheia de guerras contra moinhos de ventos, 
sempre faltando um pedaço mesmo quando inteira. 

Alguém que eu soubesse acolher 
sem pedras nas mãos, 
queria ser assim, mas fui moldada 
sob a tutela da desconfiança, 
ensinada a engolir o choro, 
não demostrar fraqueza. 

Estou tão cansada...

Às vezes sinto que sou uma barreira 
no meu próprio caminho 
e quando alguma palavra dita ou lida tudo esclarece, 
me sinto impotente e sem direção. 
Perco o meu lugar. 

Meu conforto é estar refugiada em mim, 
não sei dizer quem sou nem a mim mesma 
e quando tento, me faltam palavras, 
mas me sobram perdas nas mãos. 

Sinto a necessidade de partir 
antes mesmo de chegar, 
e levo sempre as melhores recordações, 
as do que não vivi, 
as outras deixo pelo caminho. 

Meu coração sempre se inquieta,
muitas vezes dramatiza mais que o necessário 
e a minha razão é exageradamente confusa.

Seguir


Eu já fiz muitas viagens,
para o exterior e até mesmo 
para algum interior do meu eu 
e no meio dessas viagens, 
acontecia alguma coisa e eu me perdia.

- E agora? O que vou fazer?

Foram perguntas que nunca fiz e continuava caminhando.

Muitas vezes eram caminhos sem sinalização, relativa a segurança ou objetivo a ser alcançado.
A maioria das vezes minhas viagens não dependiam de objetivos a serem alcançados.
Eu apenas seguia ou não.

Não sei onde li um trecho de Ellen White que dizia mais ou menos: "a senda por onde Deus guia, pode estender-se através do deserto ou do mar, mas é um caminho seguro".
Nunca pensei na segurança, imprevistos, dificuldades ou tropeços dos meus caminhos.

Nunca temi por eles, 
nunca almejei encontrar "lugares" 
onde não houvessem prantos ou dor, 
dificuldades ou segurança. 

Nunca me importei se eles seriam 
caminhos de salvação que me levariam 
a lugares de paz e tranquilidade.

A única coisa nesse seguir 
que sempre me afligiu 
foi o de me deter por muito tempo 
em algum lugar. 

Talvez porque eu tenha essa necessidade
de não pertencer para não inventar desculpas e me demorar.irascibile de seguir caminhando.

Que Ninguém (nos) Leia


Contínuo praticando a arte do tricotar, 
leia-se "blá-blá-blá". 

Dias espontaneamente, 
noutros nem tanto. 

Dias que se alternam 
com muita meditação voluntária, 
porque ninguém é de ferro 
e tem horas que é bem melhor "fazer-de-conta" 
que somos pessoas bem-educadas. 

Tenho reaprendido novas formas de ver as coisas, 
O olhar mediado, lento, analítico, 
que traz sentimento, 
requer atenção, 
contemplação, 
porque remete a uma reflexão olhar e sentir... 

Tenho abandonado esse ver 
de um “olhar” frio, sem interesse, 
que não aguça nossa vivência, 
não traz ação e não provoca atitude.


Minhas Linhas

 


Extrovertida por herança genética. 

Desconfiada e orgulhosa por autodefesa. 

Sonhadora e alegre por natureza.

 Melancólica por tendência. 

Independente por sobrevivência. 

Contraditória o tempo todo.

Prisioneira de minha própria ânsia de liberdade,
 escrevo compulsivamente sobre o que sinto, mas tenho sérias travas para falar sobre isso pessoalmente e principalmente sobre meus sentimentos, reflexo de anos de reclusão em mim mesma, não sei. Mas estou tentando exercitar mais o verbo falar e pedir (colo). Sou de poucos amigos, muitos colegas e bastantes conhecidos. Péssima em brigas verbais, passo dos limites, sempre.

Não sou rancorosa, ao menos isso...


Prefiro a noite ao dia, o inverno ao verão, o anonimato à fama, a solidão às más companhias, o silêncio, sempre meu companheiro. Mas tenho que confessar: quando faço barulho consigo ser muiiiito ruidosa.


Adoro animais, em especial os gatos. Tudo bem, meu labrador é a excessão do mundo canideo e batizaram o lindão de Frodo por causa do Senhor dos Anéis, eu o chamo de Meu Tesouro, combina melhor com o belezão.


Tenho medo de cobra e pavor de barata, com o restante da fauna urbana até que tenho um convivio relativamente pacifico.


Adoro tomar banho de chuva no mar, na rua, e onde mais ela me pegar. Gosto de sentir o vento no rosto, observar tempestades e sonho morar ao pé de uma montanha com muito espaço para plantas, animais e onde os filhos possam vir visitar no fim de semana para aliviar a cabeça do caos urbano.

Tagarelo muito quando descanço dos meus silêncios, falo sozinha enquanto estou trabalhando, converso com plantas e animais mais do que com as pessoas, mas me esforço para melhorar. Mordo os lábios e levanto a sombrancelha quando consigo refrear alguma censura a tempo, o que é de grande esforço.

Adoro abraçar como quem quer envolver o outro por inteiro. Não tenho medo de tocar as pessoas e acarinhar meus amigos. Costumo ser muito intensa quanto a tudo que sinto e algumas vezes tenho medo disso, quando estou tempestiva não alcanço a tranqüilidade de que os outros necessitam para permanecerem ao meu lado. A sorte é que tais tempestades são de verão, passam rápido.


Detesto carnaval, muita gente. Sempre fui adepta a boa música e alguns livros sobre a mesa de cabeceira, que no caso é a mesma papeleira que ganhei quando fiz 15 anos. Falando nisso, tenho paixão por móveis antigos e misturar estilos.

Detesto mulher cheia de frescura. Não dependo de homem para trocar pneu. Mas não dispenso uma ajuda. Não sou feminista.
 Gosto de homens afetuosos, mas firmes.

Profundamente tímida, o que me encanta é sempre o olhar...


O príncipe encantado não existe, prefiro os sapos.


Quanto às pessoas, tenho minhas referências: que não queiram ser minhas protetoras, nem minhas protegidas, mas companheiras. Que queiram dividir uma vida comigo sem meias verdades.


Sou louca por criança e me emociono muito com idosos...


Respeito sentimentos.RESPEITO, isso não quer dizer que concordo sempre. Sentimento e razão não caminham juntos, não se explica, se sente. Meu maior defeito é não saber ajudar sem se envolver. É sempre se colocar no lugar do outro para enterder suas ações e tentar justificar alguma atitude que tenha me magoado. Eu realmente preciso me machucar várias vezes para enxergar que alguém me magoa consciente. Mais que o motivo da mágoa, me machuca saber que foi propositadamente. Mas estou tentando mudar isso.


Acredito em Deus e tenho fé, do meu jeito, por isso ainda tento acreditar no ser humano...

"Elogio do Amor"

Posso citar Godard?

Duas frases que me impressionaram e cujo verbo, impressionar, possa expressar todas as respostas que poderia ter te dado e não dei....

C'est lorsque les choses finissent qu'elles prennent un sens.

Pour penser à quelque chose, il faut obligatoirement penser à autre chose.

Talvez...


Escrever é para mim, 
contar letra a letra 
o que eu não consigo, 
não quero, ou não posso pronunciar. 

É um processo doloroso 
e lento como um parto natural. 
De difícil autoaprovação. 
Um querer mais que poder. 
Um ato tímido e escondido, 
que não quer chamar atenção, 
mas carece de todo tipo de compreensão.

Talvez seja apenas a minha busca 
sem medidas para chegar em algum lugar, não sei...



Vai ficar tudo bem

O “vai ficar tudo bem”  se transformou em som vazio, palavras ouvidas viraram ausência.   Ser forte não foi uma escolha,  apenas foi empurr...