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Palavras diluídas em um poema singular

Deixo que a poesia me leve 
onde meus pés, cansados,
não acertam o passo. 

 Que esses versos 
 que correm em minhas veias, 
sejam um pouco de tudo, 
silêncios sem métrica, 
palavras diluídas 
dizendo o que o coração cala. 

E quando eu chegar ao fim, 
 onde estão os começos, à espera; 
as palavras se apartem de mim e sejam unas,
 indivisíveis, num poema singular
desalinhando o caminhar errante.

Patética

Uma sonata tão patética como a minha existência. Lembro-me de algo que li não sei onde nem quando, algo mais ou menos assim: "A única coisa a qual o homem realmente tem certeza é que a vida não tem sentido." E eu concordo. Às vezes, é estranho, fico sentindo saudades das coisas que ainda não fiz. Patética como sou, não há. A valsa que dancei, ou melhor, que imaginei ter dançado não foi suficiente. Morri antes de terminá-la. Como existir? Quais foram os erros se é que existiram? Talvez tenha saudade de viver o que ainda por vivi.

Preciso estar só

para ESTAR junto
é preciso estar SÓ.

É preciso respeitar
o contorno do próximo,
é saber voar sozinho.

Não existem sentimentos,
bons ou ruins,
sem a existência
do outro,
sem o seu contato.

Passar pela vida sem se permitir
um relacionamento próximo com
o outro, é não crescer, não evoluir,
não se transformar...

Flores de papel









Escrevia em flores de papel.
Sem lápis, relva, pincel,
sem folha que em linhas prenda
o que ao dizer não se emenda,
o que ao contar não foi dito.
"O que para ti foi escrito,
meu amor de carrocel".
Tremia-lhe ela corada
e em meio sonho deitada:
"O mundo é mesmo cruel".

zzzZZZzzzZZzzzzzzZZZZzzzz

Pedaços





A poesia, ainda que despenteada e abalada
Carrega uma certa beleza em si
Ele virava minhas páginas,
me descascava como uma fruta madura,
cortava em rodelas finas,
picava em cubos assimétricos,
rasgava fazendo barulho,
amassava fazendo efeitos,
despedaçava feito copo aos cacos,
mas não desvendava,
não adivinhava
não me bastava

Excesso de ausências,
Ele me amava
Mas não preenchia meus vazios

Cortando fundo,
Levei-o para fora
E para longe de mim

Acho que sou bonita,
Sou sim...






Foto: DaJe

Eu Preciso Dizer Que Te Amo

Palavras sem Tom

As palavras às vezes
se unem desesperadamente
e fogem sem qualquer sentido
expresso ou impresso.

São as palavras que
se precipitam em batalhas,
algumas incessantes e extenuantes.

Palavras que se cansam
antes de serem frases.

Palavras que perdem o sentido,
ficam à margem e calam
no pior de todos os silêncios.

Os silêncios das palavras rendidas,
palavras sem cor,
sem tom,
sem calor...

Palavras Desacertadas



Nunca disse que era fácil,
Não facilitei o todo
Ou em partes
Estou cansada dos dias cinzentos
Que escondem o sol
De sorrisos forçados
A custa de mentiras.

Ele procurava e não via,
Ela não via que ele não vira,
Executaram assim

O cerimonial das palavras desacertadas.

Paz



O perfume do jardim em flor, aspiro o néctar que me toma inteira e sigo em frente deixando-me levar, fascinada, pelo jogo de adivinhações que embriaga meu bom senso.

Adiante, cortinas imaculadamente brancas, num esvoaçar despreocupado e cheio de transparência que me atrai como imã para a lua que sorri do alto de um céu que me faz girar um giro tão suave que desato a rir da minha imobilidade consciente. .
Sinto passos que se aproximam por detrás, e as batidas do meu coração começam a ficar mais fortes à medida que teu respirar se aproxima e se faz sentir em minha nuca.

Não me volto nem mesmo quando sua mão toca levemente meu ombro. Sinto o prenúncio que adivinho, estremeço.

Agora um beijo que toca minha pele e meus pêlos põem-se em alerta involuntário. Mãos me tomam pela cintura um corpo que secola ao meu, vai me levando em frente. Deixo-me tombar de joelhos no leito, cotovelos apoiados e almofadas que encaixo sob o ventre.

Sinto o repuxar dos cabelos, mãos que puxam minha cabeça para trás em arco, que se oferece sem protesto; nenhuma dor.

Não posso vê-lo colado em mim e nem me esquivo quando sua boca morde minha nuca, gemo num misto de dor cheia de pressa e prazer ávido por ser saciado. Sua língua contorna minha orelha e sinto-me desfalecer.
Esgazeada, minhas pernas submissas e escorregadias vão cedendo e o suor se misturando ao seu.

Nus e calmos, não consigo falar, a cabeça tomba em assentimento e as nádegas se empinam num render sem remissão.
Um gozo profundo, gemidos,soluços,corpos se juntando, se encontrando e se ajustando.

Meu corpo agora prossegue livre, perdido de mim, no ritmo dessa dança de horas estacionadas no tempo, e segue atracado e colado ao teu, despossuído e entregue a qualquer movimento.

Por fim a paz num grito.

Porto de Abrigo


Não é que eu valha a pena
já que sou feita de aflições
que fazem apertar o coração,
de loucuras que me roubam as forças,
dos desassossegos que te afastam,
das fraquezas que me esgotam
e vivo cansada para morrer em vésperas.

Fecho os olhos e me deixo arrastar,
não tenho mais as palavras
que faziam meu coração estremecer,
no teu coração não há mais nada para mim.

Meu coração se afoga
num batimento derradeiro,
minha alma morre aos pedaços
em dores abafadas e fundas.

Espero em segredo dias sem sol,
talvez seja tempo de voltar atrás sem mágoa
ou de seguir em frente sem medo
de sufocar por dentro sem vontades,
sem um porto de abrigo
aconchegado no peito...

Porque a vida se fez assim...

Estas são as últimas palavras
que aqui te escrevo.
Todas as outras,
as que escrevi desde que te conheci
e as que hei de escrever ainda,
pertencem a outro lugar.

Um espaço distante dos teus olhos
onde eu possa estar comigo
sem te levar em mim.

Por que escondo as palavras
que te aqueceriam a alma?

Por não saber se algum dia
vou recuperar esses tantos pedaços
que cairam pelo chão.
Feliz ou não, o meu sentir
deixará de povoar teus dias

Por que?

Porque a vida se fez assim...

Pedras Frias

A casa onde habitei
fica esquecida nas memórias.

Nínguem a me guiar, melhor assim.
Avanço cheia de dúvidas
e nenhuma certeza, melhor assim.

Sinto frio.
Minhas palavras sangram,
meu peito anda febril.

Um dia acreditar,
Abandonar o vazio,
No dia seguinte
Sonhos abafados
que caem pelo chão.

Não trago espantos,
Recorro à máscara,
Ser amarga e gritar.

Não chorar,
Deixar cair o sorriso,
Deixar de acreditar,
Sentir o peso
das palavras fechadas.
Procurar os cantos
escuros da alma.

Mudar,
Saber dizer adeus
de costas voltadas.
Ignorar sinais,
Aquecer o coração
entre duas pedras frias.

Paixão


Conforto incessante
E consumado
Que se torna lascivo.

Paixão secreta,
Bem escondida
E discernida por poucos.

- Quem não tem uma?

A paixão é um infortúnio
Que cega.

Acho que me apaixonei,
Ando cega.

Acho que me apaixonei
Por mim mesma.

Por que vivemos?





Por que morremos ?
Por que o onde é um lugar
que não existe?

Por que sem você
meu mundo fica tão triste?

Onde te encontrar?

No quarto
que não partilhamos,
nas roupas
que não compramos juntos,
na comida
que não nos alimentou,
nas paredes da casa
que não te acolheu,
nas águas
que não voltaram nem pararam,
no sal das lágrimas
que agora derramo,
nas músicas
que não ouvimos,
nas conchas
que não apanhamos,
nas flores
que não colhemos,
nos filhos
que não tivemos.

Estás no coração
que bate dentro do peito,
descontrolado,
desfeito,
tresloucado por tanto te amar
e não te tocar.

Estás em tudo o que preciso,
em tudo o que me mantém viva,
no chão que pisamos
enquanto caminhamos
rumo a esse futuro tão incerto.

Estás em todos os passos,
nos longínquos cansaços,
nos risos prematuros,
nos carinhos que vou te dar.

Por que morri
se ainda vives
dentro e fora de mim?

Queria poder partir
com um sorriso no rosto,
mas deixei contigo
toda a minha alegria.

Queria vencer a tua partida
sem lágrimas de fel,
mas rasgo a raiva,
verto o sangue,
parto o coração de ódio,
permaneço atada à dor.

Por que vivemos?

Prelúdio



Teu pensamento
É o primeiro que
Chega com o dia
Sinto tua falta
Seja apenas,
O que se oferta
Pois tua história eu não sei

A lua, a mesma lua,
Que ilumina o estares só como eu,
É sempre nossa companheira de todas as horas
Então escuta os silêncios da noite,
Fecha os olhos e deixa teu pensamento voar...



Vou te contar um segredo:
Hoje estiveste comigo:
Nos meus sorrisos,
No meu sonho,
No meu desejo...


Palavras Verdes

As palavras,
Algumas,
Sempre nos fazem convergir,
Uma nos leva as outras

Outras, muitas,
São fronteiras cruzadas
Desafiando qualquer
Sentimento de ordem

E como luz e escuridão
Não podem existir juntas

Procedimento



Alguma feridas abertas
Não podem ser estancadas.

Ando costurando cirurgicamente,
As minhas.

Ah, nunca esquecendo
De trocar os curativos,
E fazer a assepsia.

Palavras Brutas

Mergulhei de tal forma nas palavras 
que acabei por me afundar nelas. 
Queria ser capaz de retornar ao ponto 
em que deixá-las fluir neste espaço
fosse o mesmo que respirar aliviada 
por me livrar delas. 

Voltar a compartilhar o que sempre
me manteve cativa e tão submersa. 
Uso a falta de tempo como desculpa, 
pois na verdade ando ciumenta 
das palavras que tenho tatuado em papel. 

Não sei com que dedos devo voltar 
e trocar o papel e o lápis pelas palavras 
que necessitam da voz para se tornarem 
audíveis e claras 

Deve ser mais uma fase 
daquelas mais longas que as outras, não sei...

Ou talvez precise me conter e colocar ao lado
as palavras mais duras que fluem como um respirar
e mesmo essas,
são melhores que as palavras brutas 
cheias de cinismo que me escapam tão facilmente
cumplices  da ironia que me molda
e me mantém a salvo de mim mesma.

Palavras Silenciosas

Diga-me, pois não irei

Perguntar novamente.

Se eras tu quem despertavas

Minhas palavras

Porque elas se tornaram

Tão silenciosas

Pulo do Gato


Meu abraço entregue
Em teu abraço,
Eu me inventava
Para te enlouquecer
E as tuas respostas
Nunca alcançavam
As minhas perguntas


Eu, entregue estava,
Em tuas mãos
E no tempo
De quem tem pressas,
Eu bebia e escorria
Por entre os teus dedos

E tal gato,
Pulava para a noite
Seguindo por uma
Estrada de silêncios

Já não pensava mais,
Enquanto atravessava
A primeira viela,
Nos teus carinhos,
E do teu abraço
já me esquecia...

Ouvindo: Deixas Em Mim Tanto De Ti

Palavras que se perdem



Preciso da parte de mim
Que não está em mim,
Está além
De onde quero estar...

Um livro esquecido
Mais uma rosa tardia...

Vai ficar tudo bem

O “vai ficar tudo bem”  se transformou em som vazio, palavras ouvidas viraram ausência.   Ser forte não foi uma escolha,  apenas foi empurr...