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Intrusa
Desgarrada das feridas abertas,
espalho-me por todo o texto.
Escrever é dor..
Eu mesma não sou eu.
Sou uma diferente,
Uma ausente de mim mesma,
esquecida dentro do espaço inconsciente.
que fica entre a razão e a loucura.
espalho-me por todo o texto.
Escrever é dor..
Eu mesma não sou eu.
Sou uma diferente,
Uma ausente de mim mesma,
esquecida dentro do espaço inconsciente.
que fica entre a razão e a loucura.
Intimo
Lembrei da tua voz
Que tem jeito
De tarde quente
Depois da chuva
E senti um calafrio
Que é tão brisa
Quanto o ar que interiorizo.
Que tem jeito
De tarde quente
Depois da chuva
E senti um calafrio
Que é tão brisa
Quanto o ar que interiorizo.
Imaginação
Será a poesia o lençol
com que à noite
cubro o corpo desnudo?
Será o poema um amante secreto?
Sinto-me seca só de te imaginar verso!
Ainda hei de fazer poesia...
com que à noite
cubro o corpo desnudo?
Será o poema um amante secreto?
Sinto-me seca só de te imaginar verso!
Ainda hei de fazer poesia...
Insanidade
Aqui desde as 3:30,
Madrugada fria,
Palavras aflitas,
Um banho pra tirar do corpo
o cheiro do suor frio
De um pesadelo maldito.
Sinto nos ossos a angustia
De não conseguir acordar
Antes de chegar ao fundo
Do poço sem fundo...
Olhei a cidade, silêncio.
Uma hora depois
Briga de casal
Em algum apartamento
Entre os edificios em volta.
Uma criança chora.
Os carros começam a rodar
numa avenida próxima.
Procurar o conforto imaginário em tuas mãos.
Preciso me acalmar.
Você já se sentiu assim?
Não responda, não quero invadir.
Você sabe, sente.
Não quero voltar aos abismos
Em que vivia,
Talvez eu volte...
Sinto medo,
Medo,
Medo...
Pensei em nós,
Escrevi um poema
Beijos meus,
São 5:05 do meu dia
ainda sinto medo,
Medo,
Angustia,
Insanidade,
Loucura...
Preciso me controlar,
Preciso ter calma,
Eu sei...
Preciso voltar a dormir,
A cidade acorda,
Ouço o barulho do dia amanhecendo,
Sinto medo,
Medo,
Medo...
Madrugada fria,
Palavras aflitas,
Um banho pra tirar do corpo
o cheiro do suor frio
De um pesadelo maldito.
Sinto nos ossos a angustia
De não conseguir acordar
Antes de chegar ao fundo
Do poço sem fundo...
Olhei a cidade, silêncio.
Uma hora depois
Briga de casal
Em algum apartamento
Entre os edificios em volta.
Uma criança chora.
Os carros começam a rodar
numa avenida próxima.
Procurar o conforto imaginário em tuas mãos.
Preciso me acalmar.
Você já se sentiu assim?
Não responda, não quero invadir.
Você sabe, sente.
Não quero voltar aos abismos
Em que vivia,
Talvez eu volte...
Sinto medo,
Medo,
Medo...
Pensei em nós,
Escrevi um poema
Beijos meus,
São 5:05 do meu dia
ainda sinto medo,
Medo,
Angustia,
Insanidade,
Loucura...
Preciso me controlar,
Preciso ter calma,
Eu sei...
Preciso voltar a dormir,
A cidade acorda,
Ouço o barulho do dia amanhecendo,
Sinto medo,
Medo,
Medo...
Impossível não me lembrar da tua voz neste poema

Esse homem que olha
e finge não ver
sabe que sou sua,
Esse homem que me despe com os olhos,
está em mim como um espaço definido
pela tepidez de dedos
que me descobrem a pele
Lentamente...
Esse homem que cala e sente
faz meu corpo estremecer
na languidez do cio
Lentamente...
(É impossível não me lembrar da tua voz neste poema.)
Intenso
Minhas entregas descomunais
me arremetem sempre para o tudo e o nada,
em proporções exacerbadas
Não meço esforços para dar tudo e mais um pouco
porque o tudo nem sempre é o suficiente,
mas preciso ser correspondida na mesma intensidade
para continuar em frente,
Não peço nada,
Mas não aceito meios termos
quando me dão algo de si,
se ficamos pelo meio
me debato feito bicho,
depois sem nada dizer parto
para o intenso senso do nada sentir ...
me arremetem sempre para o tudo e o nada,
em proporções exacerbadas
Não meço esforços para dar tudo e mais um pouco
porque o tudo nem sempre é o suficiente,
mas preciso ser correspondida na mesma intensidade
para continuar em frente,
Não peço nada,
Mas não aceito meios termos
quando me dão algo de si,
se ficamos pelo meio
me debato feito bicho,
depois sem nada dizer parto
para o intenso senso do nada sentir ...
Inicio
Por acaso nos encontramos,
Conversas vagas
Vagando de um assunto a outro,
Sem grandes pretensões.
Teu universo represado,
Meu mundo em prosopopéias.
Trazias questões demais,
Eu nada perguntava.
Teus silêncios eram imensos,
Meus vazios eram profundos,
Aflitos encarcerados
Em seus próprios abismos.
Lembro-me de sorrir
Porque chegavas desarmado
Em tua tristeza sem fim.
E na tua dor eu reconhecia
Cicatrizes semelhantes as que trazia
Há muito esquecidas e bem escondidas
Nos vãos do meu silêncio.
Sentimentos tão iguais,
Histórias de vida tão diferentes...
Conversas vagas
Vagando de um assunto a outro,
Sem grandes pretensões.
Teu universo represado,
Meu mundo em prosopopéias.
Trazias questões demais,
Eu nada perguntava.
Teus silêncios eram imensos,
Meus vazios eram profundos,
Aflitos encarcerados
Em seus próprios abismos.
Lembro-me de sorrir
Porque chegavas desarmado
Em tua tristeza sem fim.
E na tua dor eu reconhecia
Cicatrizes semelhantes as que trazia
Há muito esquecidas e bem escondidas
Nos vãos do meu silêncio.
Sentimentos tão iguais,
Histórias de vida tão diferentes...
Impossibilidades (Insurreição)
Terei um dia a capacidade
de ceder?
Admitir que anseio
por mãos firmes
que me puxem num abraço
acompanhado de um
ouvir dizer:
"- sossega a alma,
aquieta o espírito,
aceite as pessoas como elas são,
chega de guerras,
encosta a cabeça no meu peito
ouve meu coração em silêncio,
não lute,
entregue-se!”
Seguir meu curso,
esquecer toda a mágoa
porque rejeitei
todas as mãos
que me estenderam?
Alimentei desassossegos,
fugi de todos os braços
que se abriram
em ninhos.
Fiquei surda para
os dizeres do meu coração,
não saciei minha sede,
não matei minha fome...
O corpo tanto reclamava
da minha teimosia,
mas nem a ele dei ouvidos.
Por que afastei as palavras
que amainavam as tempestades
da minha alma doidivanas,
que estaria apaziguada?
Por que não me entreguei,
não me rendi,
não me deixei arder,
flamejar
e consumir
mesmo sabendo
que um dia tudo
poderia acabar?
Por que lutei consciente
guerras perdidas?
Por que não ouvi
os aleluias das mentiras
que me prometiam
a doçura das breves ilusões
se elas me bastariam?
Por que sempre mergulhei
com rasa consciência
na tensão das mutações
e nos enredos densos
de personagens que se
desagregavam de mim?
Apenas para fugir?
Se essas mãos existissem
E essa voz me soprasse:
- Vem...
Eu voltaria?
Eu me entregaria?
- Sim, penso que sim.
de ceder?
Admitir que anseio
por mãos firmes
que me puxem num abraço
acompanhado de um
ouvir dizer:
"- sossega a alma,
aquieta o espírito,
aceite as pessoas como elas são,
chega de guerras,
encosta a cabeça no meu peito
ouve meu coração em silêncio,
não lute,
entregue-se!”
Seguir meu curso,
esquecer toda a mágoa
porque rejeitei
todas as mãos
que me estenderam?
Alimentei desassossegos,
fugi de todos os braços
que se abriram
em ninhos.
Fiquei surda para
os dizeres do meu coração,
não saciei minha sede,
não matei minha fome...
O corpo tanto reclamava
da minha teimosia,
mas nem a ele dei ouvidos.
Por que afastei as palavras
que amainavam as tempestades
da minha alma doidivanas,
que estaria apaziguada?
Por que não me entreguei,
não me rendi,
não me deixei arder,
flamejar
e consumir
mesmo sabendo
que um dia tudo
poderia acabar?
Por que lutei consciente
guerras perdidas?
Por que não ouvi
os aleluias das mentiras
que me prometiam
a doçura das breves ilusões
se elas me bastariam?
Por que sempre mergulhei
com rasa consciência
na tensão das mutações
e nos enredos densos
de personagens que se
desagregavam de mim?
Apenas para fugir?
Se essas mãos existissem
E essa voz me soprasse:
- Vem...
Eu voltaria?
Eu me entregaria?
- Sim, penso que sim.
Indexar
A vida é um traço
Que teço nas teias dos dias
A vida é o que eu rabisco no compasso
Dos sonhos no laço-abraço da noite
E quando acontecem melancolias
Sem nexo,
Reflexo,
Anexos,
Eu te indexo!
Ouvindo: quiero perderme en tu cuerpo
Intenso
Ir de Uma Mulher
Imaginário
Olhar que não me aquece,
Asas que não se estendem
Num abraço imaginado,
Voz que preenche toda a minha alma...
E o sorriso?
Não sei,
mas deve ser como um dia ensolarado...
Imagem: Floriano Peixoto
Ouvindo: Smile
Madeleine Peiroux
Iguais

Não o eu,
Mas o meu igual
Que trás a alma secreta,
O espírito cego e abstrato
Que habita os silêncios,
Abrigo dos meus refúgios,
A memória súbita
De ternuras e querências
Que alimentam meus gestos
Superlativos,
Doces
Obsessivos
Ouvindo: Estacio holly Estacio ( Luiz Melodia & Zizi Possi )
Infinitos
As estrelas cintilam,
Lá, longe,
A luz do seu passado.
Muitas nem existem
No tempo agora.
São as estrelas
Que povoam as noites no meu quintal,
A solidão de vadiar
Em imensidões de silêncios,
Num passado onde lembranças e saudades
Alfinetam nossa alma,
Com a mesma matéria
De que são feitos os sonhos...
Foto: Nature 442, 636-637(10 August 2006)
Música: As Noites
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