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“Feliz é o destino da inocente vestal
Esquecida pelo mundo que ela esqueceu
Brilho eterno da mente sem lembrança!”.
Alexandre Pope

Descomunal

"É para lá que eu vou

Para além da orelha existe um tom, à extremidade do olhar um aspecto, às
pontas dos dedos um objeto - é para lá que eu vou.

À ponta do lápis o traço. Onde expira um pensamento está uma idéia, ao derradeiro hálito da alegria uma outra alegria, à ponta da espeda a magia - é para lá que eu vou. Na ponta dos pés o salto.

Parece a história de alguém que foi e não voltou - é para lá que eu vou.
Ou não vou? Vou sim. E volto para ver como estão as coisas. Se continuam mágicas. Realidade? eu vos espero. É para lá que eu vou.

Na ponta da palavra está a palavra. Quero usar a palavra "tertúlia" e não sei aonde e quando. À beira da tertúlia estou eu. À beira de eu estou mim. É para mim que vou. E de mim saio pra ver. Ver o quê? ver o que existe.

Depois de morta é para a realidade que vou. Por enquanto é sonho. Sonho fatídico. Mas depois - depois tudo é real. E a alma livre procura um canto para se acomodar. Mim é um eu que anuncio. Não sei sobre o que estou falando. Estou falando do nada. Eu sou nada. Depois de morta engrandecerei e me espalharei, e alguém dirá com amor meu nome. É para o meu pobre nome que vou.

E de lá, volto para chamar o nome do ser amado e dos filhos. Eles me responderão. Enfim terei uma resposta. Que resposta? a do amor. Amor eu vos amo tanto. Eu amo o amor. O amor é vermelho. O ciúme é verde. Meus olhos são verdes tã oescuros que na fotografia saem negros. Meu segredo é ter os olhos verdes e ninguém saber.

À extremidade de mim estou eu. Eu, implorante, eu a que necessita, a que pede, a que chora, a que se lamenta. Mas a que canta. A que diz palavras. Palavras ao vento? que importa, os ventos as trazem de novo e eu as possuo.

Eu à beira do vento. O morro dos ventos uivantes me chama. Vou, bruxa que sou.
E me transmuto.Oh cachorro, cadê tua alma? estou à beira de teu corpo? Eu estou a beira de meu corpo. E feneço lentamente.

Que estou eu a dizer? Estou dizendo amor. E à beira do amor estamos nós."(Clarice Lispector)

Vai ficar tudo bem

O “vai ficar tudo bem”  se transformou em som vazio, palavras ouvidas viraram ausência.   Ser forte não foi uma escolha,  apenas foi empurr...