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Canção de Morfeu


Há uma brisa que me roça o pescoço 
nesta noite cheia de cansaços,
num aflorar doce e perfumado 
solto pelas palavras que os olhos não viram 
nem os ouvidos ouviram. 
 
Quando sentada diante desta página fria 
transporto-me até onde te escondes
o beijo que te mando não cabe aqui, 
vai com o vento! 
 
Desejo-te, 
agarra-me, 
danem-se as consequências 
que as culpas dos desatinos sejam minhas. 
 


Estou aquém e além, 
quero tudo como queres, 
a culpa é minha se as almas não se tocam 
mas fundem-se, 
explodem e enchem as trevas de luz. 
 
É disso que sou culpada? 
 
Os relâmpagos rasgam os céus,
onde as estrelas andam ciumentas da tua voz,
não semeie dúvidas, 
ajude-me a encontrar a certeza
que está perdida em mim. 
que existe num poema a dois...
 

Caminhos

 
Quando eu morrer
não quero ritos fúnebres,
velório de corpo exposto,
descer a terra para “repousar”
num buraco escuro
onde os vermes aguardam o banquete.
 
Não quero flores, coroas
e frases feitas em dizeres
que não me dizem nada.
 
Nada de orações, cânticos
e leitura de textos sagrados,
leiam uma poesia:
A Palavra de Drummond de Andrade
ou
Poeminha do Contra de Mário Quintana;
 
Clarice seria muito existencial para a ocasião
E Hilst muito provocativa.
 
Se houver música de fundo,
que seja Anunciação de Alceu Valença.
 
Tornem meu corpo cinzas
espalhando-as na curva de um rio,
para que o canto dos pássaros
possa me acompanhar
entre vales e montanhas
por onde quero seguir para abraçar o mar.
 
Se tudo isso for muito complicado
levem-me direto ao mar,
todos sabem qual litoral
quero alcançar
e, quem sabe descansar...
 
Tenho apenas dois pedidos:
Juntem às minhas cinzas
as das pequenas que partirem antes de mim,
o outro é segredo...

Calar

 

Não quero descer
da solidão em que me encontro,
ela não me causa espanto.

Não tento entender por que compreendo,
não preciso chegar perto
pois já me encontro ao lado,
apenas não quero...

Mais fácil confessar e revelar
do que descobrir,
falo sempre menos do que sei,
e já sei muito,
prefiro calar o que me é tão claro...

Eu sou a que espreita,
a que não pode amar sem mãos de posse,
e mesmo aquilo que é calmo e doce em mim,
é breve prelúdio de uma tempestade anunciada.


Nem para tudo existem razões
que possam ser explicadas,
como podes ser caminho
se não compreendes os cansaços,
como podes ser braços que consolam
se te queres mãos que estrangulam...


Ninguém pode estar comigo,
quero apenas existir...

Corações inteiros

Não quero amor 
de palavras ensaiadas,
antes, gestos serenos e consistentes. 

Não quero ser refém 
de dúvidas e promessas de céu 
que depois vão me atirar ao chão. 

Não quero impressionar a todo custo 
porque sou o olhar que escuta. 

Apenas quero que respeitem 
meu espaço, 
silêncios
e ciclos. 

Se quiser caminhar comigo,
não me arraste com entusiasmo 
passageiro para depois me abandonar. 

Quero paz e não o caos 
de amores barulhentos, 
porque aprendi a amar em silêncio 
e só reconheço corações inteiros

Contas à pagar



A confiança que havia

antes da virgula, acabou 

esgotou-se por causa

da repetição dos excessos

 

O respeito, por esmorecer antes do ponto final,

carece de ser substituído pelas reticencias

que andam por um fio,

calo, não penso, tão pouco pondero.

 

Nada a perder, o nó górdio se desfaz aos poucos

sem medo e nem vergonha na cara

Sinal fechado, encerrada a temporada

Das palavras cheias de gentilezas,

dispensadas nos silêncios das indiferenças

 

Lotação esgotada, finda o espetáculo,

pagamento em espécie,

não aceitamos cartão de crédito.

 

Faca amolada rasgando a carne,

Não tenho pressas...

 


Conjugar

Despir
Trovar
Tecer
Tomar
Sorver
Tremer
Estremecer
Navegar
Mergulhar
Amar
Descobrir
Conduzir
Cavalgar
Possuir
Gemer
Gritar
Gozar
Descansar
Sorrir
Sonhar


Conjugar na primeira do plural,
que seja logo!

Cura

A ferida faz olhar em frente
À procura de uma cura
Para as antigas dores
Sempre tão atuais.

Num lugar qualquer,
Improvável e incerto,
Deixo-me ficar mais um pouco
E quem não percebe isso,
Não poderá atravessar comigo
Aquela ponte,
A que me leva
Ao meu lado feliz.

Casual

Fui intervalos
nas horas em que fui eu mesma

Fui tua alegria
Fui a chama que te aqueceu

Nada casual porque me dei inteira,
Fui plena,
Fui EU sem medos,
Sem mordaças.

Hora de sacudir o pijama
Que trás o teu cheiro,
Deixar você partir,
Seguir por onde não sei,
Mas seguir em frente
Sem desculpas que pesam
Para que possamos ser mais leves...

Ouvindo:

http://www.phoenix.voice.nom.br/phoenix/NCPG/MariaGadu/Due--Mais-que-a-mim.mid

Calor




Tua língua  é lua cheia
Luziluzindo no céu da minha boca,


Tuas mãos são naus
Na minha pele oceano,


Teu sexo o sol
Iluminando os segredos
das minhas grutas
Sem fronteiras...

Contrários

Amanheci chorando
Para anoitecer sorrindo,
Adotei o impossível,
Quem não sonha com ele?

Abandonei o possível,
Quem não se fartou dele?

Nada me causava
As deliciosas palpitações
Que antecedem o desconhecido.

Com Você


Fazer amor com você
Em qualquer posição,
Na cama,
No chão,
Na lua,
Na rua,
No mar,
No banho,
Na intensão,
Seja como for,
Fazer amor
Tem que ser com você...

De pé,
De lado,
De 4,
Deitados,
Até de pernas pro ar,
Fazer amor com você
Até o mundo acabar...

Círculos



O meu amor por você
é um círculo,
casulo, fechado, incluso,
só meu,
só teu,
tão nosso…

Amor onde cabem
todas as possibilidades
e todas as metamorfoses.

Um círculo perfeito,
sem princípio nem fim,
que começa e termina,
recomeça e segue
na forma da minha
e da tua utopia
transformadas em realidade.

O mundo fica lá fora
quando fechamos
a janela do exterior
e abrimos a porta
dos nossos corações,
onde se desfazem
os dias de pontos finais
e de vírgulas entremeados
de sofridas interjeições.

O que importa é o ponto
de onde parte o círculo
que nunca é um fim,
mas um meio de me alcançar
quando te encontro.

O teu amor é um círculo
que completa o meu amor círculo
e nunca termina...

Carências

Sinto falta da solidão
Que tantas vezes me acolheu
Em remansos sem questionamentos.

Eu a procuro com a ânsia dos famintos
que buscam no trigo forjado em pão
o alivio imediato para a fome da alma,.

Sinto falta da escuridão
Que me envolvia em breu absoluto,
Maculado apenas por estrelas
Que riscavam e explodiam no céu
Em desperdícios de luz.

Estrelas há muito sepultadas
Na amplidão do universo,
Cujo brilho é ilusório
Não trazem conforto
Ao coração selvagem.

Sinto falta do silêncio
Gerado pela ignorância
Que me mantinha à parte
De qualquer sentimento inquietante,
Como adivinhando efeitos colaterais
De amores finitos e temporários.

Ceifadora




Certos olhares
Ceifam os olhares
Que atraem

Certos olhares
Nunca olham
Antes da hora

Certos olhares
Exageram,
Olham além
Porque certos olhares
Sentem

Não deveriam ser permitidos
Olhares assim...

Confissão

Queria não ter que mentir.

Sou culpada pelas mentiras
Que sou obrigada a dar.
Não as nego, foram muitas.

Fui condenada por cada uma delas
E serei julgada também
Pelas que ainda hei de dar,
Se não as dei foi por falta de oportunidade.

O que queria mesmo era não
Ter de mentir para mim mesma.
Para essas não existem contas a pagar,
Condenações que bastem
Ou sentenças que as redimam.

- E o que me resta:

A culpa é inerente as pessoas
Que trazem arrependimentos.
A minha natureza não carrega culpas
Porque não se arrepende,
Nem mesmo pelas que nego.

Prefiro sangrar,
Morrer aos poucos...

A condenação é o
Cumprir da sentença
Não importa quantos arrependimentos,
Admitidos ou não,
Nos pesem no coração.

- E o que me resta:

Seguir pela vida
Com algumas culpas
Tatuadas na alma
E o coração esmagado
Pelos arrependimentos
Que sempre nego.

A lição necessária e urgente
É o dever de não ter
Que mentir para mim mesma.


Colombina Insone




Ela tomou fôlego,
Escrever uma carta de amor
Seria mais poético,
Lúdico
Leve,
Pessoal...

Mas mundos de mensagens rápidas
Pedem alguma distância
Apesar de aliviarem esperas
E suprirem à ansiedade da espera
Que sempre nos trazia
Presos às angústias dos “se”

Sobrou um espaço eletrônico
E palavras que precisavam fluir

Deteve o impulso, e repensou
Pela segunda vez
Na imprudência
Ou não,
Da escolha que fermentava a sua vontade.

A serenidade é uma virtude,
Que por vezes acolhe até as mentes menos sábias.
Naquele momento,
Colocou de lado sua cólera
E a amordaçou com eficácia,
Mantendo a paz quente,
Isolada das emoções
Que a impediriam de seguir adiante.

Resgatou o espírito e salvou a razão,
Seguiu em frente tecendo as palavras
Que trariam de volta a serenidade,
A liberdade,
O sono possível,
Cortou as amarras invisíveis
Que a mantinham cativa
De uma fantasia de Colombina insone

Côncavo e Recôncavo



Teu ser secreto

No Meu espaço côncavo

Que contêm tua seiva.


Teu espaço permanece

No recôncavo

Das minhas cores

Onde misturas

Entregas acalentadas.


Deixa tudo ser

Que tudo será

Deixa

Deixa

Deixa...

Coisas Bobas

Não penso que é o ódio que te alimenta,
Sei que as distâncias que impomos
Nem sempre são calculistas,
Premeditadas,
Possíveis,
Persuasivas.

Vamos é fazer de conta
Que o hoje é possivel
Nas palavras que doamos.

Fazer coisas bobas como:
Mergulhar no raso,
Andar na chuva,
Chupar sorvete no frio,
Dormir com os cabelos molhados,
Tomar sopa pelo prato
Fazendo barulho,
Dar gargalhadas num tom maior.

Deixar prara depois
Alguma coisa urgente,
Nunca alimentar
A solidão do Eu
Que se resguarda
Mas vive pela metade.

Olhar estrelas,
Sentir o vento,
Viver um pouco mais
E melhor...

Convite

Olhos perdidos que observam,
seus novos dias esperam por mim 
com a mesma insistência 
dos velhos dias 

Seus dias esperam por mim, 
não esperam?

Vamos fugir? 
Venha comigo,
ou me leve embora, 
para longe de ti

Vai ficar tudo bem

O “vai ficar tudo bem”  se transformou em som vazio, palavras ouvidas viraram ausência.   Ser forte não foi uma escolha,  apenas foi empurr...