Alento


Já era madrugada
de horas perdidas,
insone como antes,
a espera da madrugada fria.

O passar do tempo,
enfatizado pelo relógio,
não oferecia sossego.

Mais um dia espreitava
e não oferecia nada de diferente.
A qualquer momento,
o sol, com sua presença delatora,
despontaria no céu.

Adeus a mais uma noite, das tantas,
em que se perdia e errava
pelos caminhos do não-sono,
sem a preocupação com a cor que o céu
se vestia nessa madruga fria.

Pouco importava se era prosa ou verso,
avessa ou mal-passada,
errante ou lúcida do tempo.

Estava cansada do escuro,
do vazio instante,
do fundo raso
e da presença ausente.

Não era mais senhora
em seu castelo de cartas,
tão pouco da culpa que não sentia.

Enrrolou-se nos lençóis 220 fios,
voltou para o lado e adormeceu
sob a luz artificial que bailava
sobre a mesa de cabeceira.

Cultivada em cansaços,
Um livro caiu da cama
ao encontro do chão frio,
o sono lhe deu alento
para as doloridas pegadas
que ficaram pelos caminhos
do ontem que não será amanhã.

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