Paz



O perfume do jardim em flor, aspiro o néctar que me toma inteira e sigo em frente deixando-me levar, fascinada, pelo jogo de adivinhações que embriaga meu bom senso.

Adiante, cortinas imaculadamente brancas, num esvoaçar despreocupado e cheio de transparência que me atrai como imã para a lua que sorri do alto de um céu que me faz girar um giro tão suave que desato a rir da minha imobilidade consciente. .
Sinto passos que se aproximam por detrás, e as batidas do meu coração começam a ficar mais fortes à medida que teu respirar se aproxima e se faz sentir em minha nuca.

Não me volto nem mesmo quando sua mão toca levemente meu ombro. Sinto o prenúncio que adivinho, estremeço.

Agora um beijo que toca minha pele e meus pêlos põem-se em alerta involuntário. Mãos me tomam pela cintura um corpo que secola ao meu, vai me levando em frente. Deixo-me tombar de joelhos no leito, cotovelos apoiados e almofadas que encaixo sob o ventre.

Sinto o repuxar dos cabelos, mãos que puxam minha cabeça para trás em arco, que se oferece sem protesto; nenhuma dor.

Não posso vê-lo colado em mim e nem me esquivo quando sua boca morde minha nuca, gemo num misto de dor cheia de pressa e prazer ávido por ser saciado. Sua língua contorna minha orelha e sinto-me desfalecer.
Esgazeada, minhas pernas submissas e escorregadias vão cedendo e o suor se misturando ao seu.

Nus e calmos, não consigo falar, a cabeça tomba em assentimento e as nádegas se empinam num render sem remissão.
Um gozo profundo, gemidos,soluços,corpos se juntando, se encontrando e se ajustando.

Meu corpo agora prossegue livre, perdido de mim, no ritmo dessa dança de horas estacionadas no tempo, e segue atracado e colado ao teu, despossuído e entregue a qualquer movimento.

Por fim a paz num grito.

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