Eu te amei, girassol, e agora?


Olhos vazios que carregam 
 o peso de histórias perdidas, 
apartados de si mesmos, 
 apontados para o que 
 não pode ser absorvido. 

 Dedos rígidos que tentam 
 agarrar o tempo 
 num lembrete silencioso 
entre a delicadeza da existência 
 e a certeza inquietante 
 de que ficou algo por dizer. 

A sensação perene da falta 
que não se pode nominar, 
imperfeita e incompleta.

Nenhuma vírgula antecedeu
as pausas subjuntivas
das impossibilidades cortantes.

Uma metade partida no meio 
de uma página esquecida.

-Eu te amei, girassol! E agora?

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