Terei um dia a capacidade
de ceder?
Admitir que anseio
por mãos firmes
que me puxem num abraço
acompanhado de um
ouvir dizer:
"- sossega a alma,
aquieta o espírito,
aceite as pessoas como elas são,
chega de guerras,
encosta a cabeça no meu peito
ouve meu coração em silêncio,
não lute,
entregue-se!”
Seguir meu curso,
esquecer toda a mágoa
porque rejeitei
todas as mãos
que me estenderam?
Alimentei desassossegos,
fugi de todos os braços
que se abriram
em ninhos.
Fiquei surda para
os dizeres do meu coração,
não saciei minha sede,
não matei minha fome...
O corpo tanto reclamava
da minha teimosia,
mas nem a ele dei ouvidos.
Por que afastei as palavras
que amainavam as tempestades
da minha alma doidivanas,
que estaria apaziguada?
Por que não me entreguei,
não me rendi,
não me deixei arder,
flamejar
e consumir
mesmo sabendo
que um dia tudo
poderia acabar?
Por que lutei consciente
guerras perdidas?
Por que não ouvi
os aleluias das mentiras
que me prometiam
a doçura das breves ilusões
se elas me bastariam?
Por que sempre mergulhei
com rasa consciência
na tensão das mutações
e nos enredos densos
de personagens que se
desagregavam de mim?
Apenas para fugir?
Se essas mãos existissem
E essa voz me soprasse:
- Vem...
Eu voltaria?
Eu me entregaria?
- Sim, penso que sim.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Vai ficar tudo bem
O “vai ficar tudo bem” se transformou em som vazio, palavras ouvidas viraram ausência. Ser forte não foi uma escolha, apenas foi empurr...
-
Estou assim: confusa, doente, sem paz, com sede, não sei... Sinto cansaços, explicações a dar, satisfações a cobrar... Sinto cansaços, quero...
-
Cristalizam em imagem Um instante no movimento Sem parar a existência, Eu, tantas vezes esquecida de mim, Sem nenhum retrato em sépia Para s...
-
alguns momentos acontecem como por acaso e por acaso sem caso descobrimos num desses rostos com que cruzamos o olhar que a vida podia...
-
Desculpe-me se trago a alma sem alento, Se tenho cansaços, Se me tornei escrava desse sentimento vazio, Se meu vôo é de asas partidas, Se me...
-
“Do you Come from the deep sky or leave you the abyss, Ô Beauté? Your glance, infernal and divine, confusedly Pours the benefit and the crim...
-
O “vai ficar tudo bem” se transformou em som vazio, palavras ouvidas viraram ausência. Ser forte não foi uma escolha, apenas foi empurr...
-
Vagalumes que surgem para iluminar meus umbrais Ando assim, assim.. Ando nada! Ando mesmo muito, Desse andar que também Conjugamos como cami...
-
- Como está o céu lá fora? - Como estás? - Ainda te lembras? - Adivinhas-me? - Ainda sabes como me abraçar? O tempo vai passar, e passou a...
-
Meu sentir: intimista Não te sentir: abstrato Não são os meus vazios que te perdem, É antes a tua descrença em tudo Que te afasta de mim. Te...
-
Este blog em particular deverá mudar de dominio, estrutura, contexto, enfim mudar. Por ser o mais pessoal e intimista ele se encontra como e...
Um comentário:
São tantas as horas e longos os dias. Tens o dever de cuidar do teu jardim pois, uma vez viciado em contemplar as palavras que nele semeias, fica sempre a faltar um pedaço de ti.
A.
Postar um comentário