Um pedido de desculpas

Não sou pessoa dada a aproximações pois as partidas sempre são doloridas. E elas sempre acontecem,.

Eu me acumulo delas e aprendi a viver com elas. Não sem algumas revoltas, mágoas ou saudades. Vivo de esboços não acabados e vacilantes e o único equilibrio que me é possivel é estar dentro de mim mesma.


Não são angústias ou dependências.


Queria muito depender, deixar de ser uma pessoa dando murro em ponta de faca, cheia de guerras contra moinhos de ventos, sempre faltando um pedaço mesmo quando inteira. Alguém que eu soubesse acolher sem pedras nas mãos. Mas não sei ser assim, não fui talhada para isso. Sou uma teimosa desde o ventre materno. Lutei para sobreviver.


Às vezes sinto que sou uma barreira no meu próprio caminho e quando alguma palavra dita ou lida tudo esclarece, me sinto impotente e sem direção. Perco o meu lugar.


Meu conforto é estar refugiada em mim. Não sei dizer quem sou nem a mim mesma e quando tento me faltam palavras mas me sobram sangue nas mãos.


Eu sinto a necessidade de partir antes mesmo de chegar. Mas levo sempre algumas recordações, e as melhores pois as outras deixo pelo caminho.


Meu coração sempre se inquieta e muitas vezes dramatiza mais que o necessário e a minha razão é exageradamente confusa.


Deixo aqui algo de uma autora que que gosto muito, talvez porque nas palavras dela sempre me encontro e encontro também algum entendimento:


" O que eu sinto eu não ajo.
O que ajo não penso.
O que penso não sinto.
Do que sei sou ignorante.
Do que sinto não ignoro.
Não me entendo e ajo como se entendesse."


Clarice Lispector.


Boa sorte, saúde e muito amor no coração.

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