Fragmentos Sibilados


Transito entre a mutação
Do nomadismo sentimental,

Entre a poética e a agonia
Da consciência e a existência

Não desejo existir,
Quero viver.

Existir me anula,
Viver dói, sente-se

A consciência mutila
Então prefiro a loucura.
Ser consciente me extenua
A loucura me esvazia.

A poética me remete a mim
E de mim quero sair,
Preciso fugir dessa que me mantém
Acorrentada ao espectro do que não fui.

Quero a poesia
Quando ela me adorna
E adula exageradamente

A agonia por vezes me consola
Mas não estou acostumada
A ser consolada
Não tenho dores a consolar,
Preciso das dores no estado bruto.

Sinto sede e fome de viver
Plena de loucura
E agonias poéticas
Bem nutridas e saciadas
Mesmo que em sentido ilusório

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