Sem Saber Se o Querer era Querer


No dia seguinte a despedida,
Ficou um gosto de querência
Um vazio estático
Paralisado,
imóvel,
firme,
em repouso.

Nem mais um dia,
Talvez meio dia
E já tinha passado
Decorrido,
Findo;

Hoje me vieste por acaso,
Sem saber se o querer
Era um querer
Ou quase querer
E eu percebi
O quanto andava saudosa
Sem saber a saudade
Da sensação de índole pacífica,
Serena e mansa
Que as tuas palavras me trazem
Sempre que as recebo,
Sem saber se as quero.

Palavras cultivadas
Nem sempre em solo fértil,
De poda fácil,
Abrigadas das intempéries
Mas sempre tão bem vindas
Em sobra do som
Da existência insistente,
No desejo da vida
num sopro leve da calmaria
De sentir a palavra branda,
e reconhecer,
Sem dilacerar os sentidos,
E sorvi em goles pequenos
Apenas para matar a sede
Não a perene,
Antes a que não se sabe sede

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