Espelhos

O espelho, em seu silêncio vítreo,
Reflete essa que não sei.
Ela não está em lugar algum,
Por que está em algum lugar
Longe da minha percepção,
Entre o reflexo e a matéria de que é feita.
E entre esse corpo e o outro,
Existe a falha,
A ausência...

O eterno abandono,
Num tempo perdido no tempo,
Envolta numa planície de silêncios,
Nua de flores e relva
Fechada demais no seu espelho,
Desatenta e perversa,
Com adagas na cintura
Ao invés de flores.

Sem soltar os arreios do tempo
E eriçar as velas da alma
Que pulsa, desencontrada de si...
Entre esse corpo e o outro,
Existe o abismo,
A unidade do não achado
A solidão do não vivido...


Música: Dois

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