Vagas à mais


Ninguém precisa saber
que o dia começou tarde,
que a dor sufocou no canto da alma
que o amor aconteceu
e já ninguém sabe se volta.

É assim que se prova a imprudência?
Trazendo para o mundo do faz-de-conta
as contas que não se contam mais?

O amor permanece?

Eu podia fingir que
não me habitavam as tuas ausências,
que a dor que me ensinaste a sentir
não era proposital pois eras meu porto de abrigo
e não o meu cais de angústia e solidão.

Não sei fingir assim...

Entre a tua alma e a minha
vaga um precipício de distanciamentos
que foste edificando com tuas ausências.

Ausências dentro das ausências do mundo...

Hoje eu quero esquecer
essa vaga onde nos deixamos cair por capricho.

Adormecer...

No lugar do coração uma vaga
a ser preenchida,
sou uma folha que se fechou
antes mesmo de existir.

Começar de novo porque existem
palavras que merecem o silêncio...

Tela:
Klimt

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