Abraço Poliglota

Por vezes escuto no quarto um escuro muito vazio, meu amor. O corpo diz na surdina, cravado de suspiros, que você me faz falta e a noite vai crescendo, movediça por entre os lençóis que não têm o peso que preciso.
Nesses instantes de saudade, (haverá instantes em que não há saudades?), tudo me escapa e não sou uma alquimista de pólos inversos em cujas mãos nada reluz.

- Amor, o vazio é tão gigante que parece que vai me engolir nessa cama desfeita onde se aninha a vontade de ser contrabandeada num negócio de beijos e abraços.
Sinto saudades do teu abraço tenro, poliglota e com todas as certezas do tato, que adivinho e com o qual sonho.

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