Fome de Viver

Toda a música suspensa. Lamento ter apenas pés que espezinham e mãos com garras, que agarram e deixam marcas. Marcas que magoam.

Alguns estados de alma me tranfiguram, não penso, não páro. Sigo sem freios pela ladeira, desgovernada em raivas que me alimentam e incendeiam.Deixo de lado as primeiras impressões, as mais doces e suaves, e são meus destemperos que me guiam cega e furiosa para todas as direções em que me arremeto.


Fico de mãos vazias, coração pesado esmagando o peito. Não tenho desculpas para as tantas lâminas que atiro.
Sigo sempre com a mesma tempestade que nunca amaina. Ando sempre em rota de colisão, não sei como dizer sim porque me habituei ao não. Tão mais fácil negar, tão mais fácil...

Fugindo do perigo de me render aos olhos que nunca pousarão nos meus, abandonar para não ser abandonada, quanta bobagem, a vida precisa viver. Tombei desamparada no interior da mágoa, fui embora da vida dele como entrei: calada, pisando manso para não chamar atenção.

Do que (ainda) não te disse: aproximei-me para saber teu nome e demorei-me mais do que devia, os olhos que queriam olhos e duas mãos estendidas pedindo o abraço que não aconteceu. O coração saltando na tua direção, sabendo que não ficarias para sempre disse para ir sem perguntar se queria ficar porque tinha medo da resposta.


Você chegou sem que eu te visse, mas te reconheci sem demora. Alimento que me enchia de paz e sonhos, risos e ternuras explicitas. O sentir indizível que alcança a beleza imaterial que dentro de mim , melhor me pertencia sem que eu soubesse. Então, como um feixe de luz, você voou e eu fiquei contaminada pela escuridão e pelo perfume advinhado.

Do meu amor posso dizer que cresceu até amadurecer, foi uma transpiração cada vez mais íntima até se transformar em outras formas de linguagem.
Ainda que tudo parecesse um pouco indefinido, eu teria dito: leva-me contigo, sem esperar que o fizesses. Queria ter experimentado a liberdade de o dizer, não fui capaz.

Essas eram as minhas evidências, habitadas de silêncios e despedidas que eu entreguei de coração partido, era tudo que trazia guardado na bagagem desde que fui embora. Desde sempre, em todas as despedidas que já ensaiei e as que dei.

Vou livre para a próxima condenação, meu coraçãao desapropriou aquele espaço em que se guardavam mágoas de estimação.

Ânsia de viver! Fome do mundo!


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