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... Provavelmente, são as recordações enterradas que conferem esse singular hiperrealismo ao que vemos em sonhos. Mas talvez seja outra coisa, algo de nebuloso, de velado que faz com que, paradoxalmente, tudo nos apareça mais nítido em sonhos. Um pequeno charco de água torna-se um lago, uma brisa, uma ventania, uma mão cheia de pó num deserto, um grão de enxofre no sangue num fogo vulcânico. Que teatro é esse em que somos ao mesmo tempo dramaturgo, ator, maquinista, cenógrafo e público? Será preciso, para atravessar o espaço do sono, mais ou menos entendimento do que o que levamos para a cama?

W.G. Sebald, "Os Anéis de Saturno", página 81 fotografia de Gregory Crewdson

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