Depois da tempestade...

Andei justificando a ausência das palavras com a desculpa de que me faltava inspiração, na verdade o que me acontecia e acometia, era o virar as costas a elas me demorando demais pelas anti-palavras.

Minava o espirito de períodos não contínuos, num andar sem eira nem beira, em estados intermitente entre o pouco e o menos que o pouco. Esse estar não requer pensar em demasia, olhar para dentro com olhos de ver, demorar mais que uma fração de tempo para dar tempo de não querer partir; não exige mais que nada ou despende de esforços.

Caminhando e virando as costas à vontade de fazer sangrar o peito sobre a folha de papel ou teclado, cerrava as pálpebras se de madrugada os versos me assaltavam. As madrugadas eram as horas dos versos sem rimas já que os sonhos ficavam adormecidos antes de dormir e depois também.

Talvez me faltasse um destinatário, ou se confundiam os desejos quando tropeçava nos becos de duas cidades que me viviam na pele, o lugar do Eu e o Eu fora do lugar, não sei explicar, é confuso até pra mim mesma que vivo confusa e criando confusões.

Dói a ausência, toda a dor é mais intensa quando nós mesmos rasgamos a alma e se a tento aliviar com palavras, caio na armadilha da dúvida de não saber o porquê. Nas memórias que misturo, entre a verdade e o inconsciente, há espaços em branco porque me falta a certeza dos protagonistas, assim como me faltam as metáforas para contar o tudo que me aconteceu.

Sem saber como falar das tardes que começaram a cair sobre mim e que acabaram em madrugadas insones, dos abraços e beijos ao romper do dia, das canções que não foram escritas, ou de como fugir do que me persegue, vou-me escondendo da escrita e acumulando, todas manhãs, um pouco mais da certeza de que não pode ser por muito mais tempo.

Sinto que volto a desabrochar em palavras e gestos.É o resumo de como sinto o que sinto...

Por você, com quem partilho alguns dos meus excessos e que vai acalmando a fúria que ainda carrego com algumas revoltas, terei todos os fins de tarde para te falar do mundo, de dentro para fora, assim que eu saiba como o fazer.

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