Carta a um amigo

Tu me perguntaste o que eu queria: Amor ou paixão?

Muito insistente argumentavas e discursavas sobre as diferenças entre amor e paixão, do que falavas não era de amor ou paixão, falavas de desejo e tesão
Não sei se percebes as diferenças. Estou convencida de que o amor é decorrência da paixão quando ela se acalma.

Estar apaixonado é viver em estado de tormenta. O juízo nos falta, a sede nunca se sente saciada, o tesão nunca acaba. Sentimos a temperatura alterar até mesmo quando, andando na rua rumo a um compromisso corriqueiro, um pensamento repentino nos transporta até uma lembrança vivida em fogo de paixão, e o sorriso fica cheio de terceiras intenções, um arrepio sobe pela espinha e se aloja no pescoço, o sexo tem uma contração, o bico do seio arrepia e um tremor passa pelo corpo numa corrente vertiginosa.

Até o roçar das pernas, movimento decorrente do caminhar é passível de nos fazer chegar a um orgasmo involuntário.

Ah! Isso é paixão. Estado permanente de fome em que não há pasto que a deixe satisfeita.

É vontade, é inquietação, é andar feito bicho acuado, é ser selvagem, é viver desacorçoado, ansioso, subindo paredes à espera das rédeas que vão conter temporariamente esse fogo que nunca acaba.

É a sensação permanente de ter borboletas na barriga. Quando deixar dee senti-las é porque o fogo da paixão já não te queima e tão pouco a brisa morna do amor te aquece a alma.

Então amigo, quando isso acontecer, "jogue fora as chaves", diga adeus e siga seu caminho, às vezes também é bom estar sozinho...

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